A lutadora Matilde


Tal como prometido, Apresento-vos a minha menina. (Pra quem ainda não conhece...)
A Matilde está connosco desde Maio do ano passado, depois de ter passado quase sete meses a ser maltratada. Soubémos da história dela - batiam-lhe constantemente, chegou a dormir num carro...- e imediatamente o nosso coração ordenou-nos para que ficássemos com ela.
Os olhos redondos que hoje a Matilde tem, em Maio estavam semi-abertos e repletos de lágrimas. Era uma cadela muito triste. E muito assustada.
Em poucos dias começou a pular, a exigir beijinhos e festinhas, a presentear-nos com as suas primeiras habilidades. Primeiras para uma cadela com sete meses.
Em Julho, no dia do meu aniversário, por volta das seis da tarde, a Matilde viu uma cadelinha do outro lado da estrada e saiu a correr da nossa loja para ir brincar com ela. Nesse preciso momento, vinha uma carrinha Traffic a alta velocidade e atropelou a Matilde. O meu mundo desabou naquele momento. Aquele ser indefeso mas finalmente alegre saía agora de baixo de um carro, a andar só com as patas da frente. Coberta de sangue. Com a pele do lombo toda rasgada...
Corria agora o risco de ficar sem a vida quando estava a começar a vivê-la.
Chorei como há muito não chorava. Agarrei-me a ela que respirava apressadamente e disse-lhe: "Não tenhas medo, a dona está aqui...". Toda eu tremia por dentro e por fora. Estava assustada. Tinha medo de perdê-la.
Fui com a minha menina para o veterinário. Felizmente não tinha nenhuma lesão na coluna.
Tinha o fémur partido. Ligaram-lhe as patinhas de trás, fizeram-lhe curativos nas feridas, deram-lhe injecções paras as dores, receitaram-lhe medicamentos. Fomos para casa e eu mais descansada porque levava a minha menina comigo.
Foram mais quinze dias com as patinhas imobilizadas. Durante esse período a Matilde não podia andar. Tive de ficar em casa com ela, mudar-lhe a caminha de duas em duas horas porque uma das injecções fazia com que ela fizesse muitas vezes xixi. Sempre me deixou tratar dela. Tomava os medicamentos sem hesitações. Deixava-me barrar o creme para as feridas sem ganir. Portou-se lindamente. Começou a recuperar como ninguém imaginava ser possível.
Ao fim desse tempo a Matilde começou a andar, aos poucos a correr, a saltar, a fazer tudo sem ajuda. Não foi preciso ser operada, recuperou tudo sozinha.
Hoje a Matilde tem uma relação muito forte connosco. Tem um amor incondicional por mim. Quando vou passear com ela não deixa que nenhum homem se aproxime, porque agora é ela que toma conta de mim.
Agora a Matilde tem muito medo de carrinhas, não pode ver uma, encolhe-se logo toda.
Continua a ser uma cadela muito assustada. Especialmente com homens. Não esquece os maus tratos que teve. Mas é muito feliz connosco. E nós com ela. Hoje a Matilde é uma cadela perfeitamente normal, não coxeia, não ficou com diferença nenhuma nas patas. Pelo contrário. Dá saltos, parece que tem molas nas patas. Todas as noites quando me sento no sofá da sala, vem sempre, mas sempre para o meu colo. Olha-me nos olhos, dá-me muitos beijinhos e encosta a cabecinha no meu peito. Agradecendo por todo o amor que lhe tenho dado. Eu retribuo com muitos beijinhos e festinhas e digo-lhe: "Eu é que te agradeco por teres tido tanta vontade de viver". A Matilde sabia que connosco valia a pena continuar. Porque a nossa vida ganhou muito com ela. Somos os três inseparáveis. Ela vem connosco todos os dias para a loja. Adora vir trabalhar. Raramente fica sozinha em casa. Faz parte de nós.
E fará para sempre.
Vejam como é linda, com aqueles dentinhos de fora :)))...
Em breve ponho mais fotos...
