Não te quero dizer adeus
Uma chuva intensa e gelada que te fez parar à minha porta a pedir ajuda...
Os teus olhos doces e assustados cruzaram com os meus, lacrimejantes por te ver completamente encharcado.
Claro que entraste. Comeste pizza connosco e adoraste. Ou simplesmente devoraste cada fatia porque o teu estômago aceitava o que aparecesse. Quando ficaste saciado não te dirigiste para a porta, como eu julguei. Correste para cima de uma cadeira e aninhaste-te de imediato num ronronar que nos despoletou um sorriso carinhoso.
Desde aí escolheste-nos para teus donos e nós ganhámos um companheiro. Percebemos logo que eras calmo e muito meigo. Afinal de contas já eras um gato adulto e bastante vivido.
No dia seguinte já tinhas caminha, brinquedos e caixinha com areia. A pizza foi substituída por suculenteas latinhas de comida que tu adoravas até hoje.
Ainda hoje, como acontecia sempre, deixaste-me levantar, tomar banho, vestir-me e só depois vieste ter comigo para te dar uma latinha. Não eras exigente nem egoísta. Nunca me acordavas a pedir nada. Eras um gentlecat.
Ainda bem que hoje te dei uma latinha com um dos sabores que mais gostavas.
Tenho a certeza que foste muito feliz Mateus.
Desculpa se não pude fazer mais nada por ti meu amorzinho de olhos verdes. Eu e o dono cuidámos de ti todos os dias até percebermos que não estávamos a conseguir.
Espero que não tenhas sofrido nada.
Que penses que estás a dormir na nossa caminha, como todos os dias.
Temos muitas saudades e sei que o teu miar vai habitar na nossa casa durante muito tempo. Mas também eu quero imaginar que tu estás a dormir enrolado na tua mantinha e que por isso não te vemos.
No coração dos donos para sempre.
Mateus - 23/03/2007
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