quinta-feira, outubro 20, 2005

Noite de Quinta

É tão bom estar em casa à noite. Enterrada no sofá a comer ruffles presunto, a ver a América e a esperar ansiosamente pelo CSI.
Sentir o cheiro das nossas coisas, receber uma lambidela da Matilde, dar uma batata de presunto à Matilde...
Vou ver se os cogumelos já estão prontos e vou voltar para o sofá esperar que o meu menino chegue do treino. Preparo-me disfarçadamente para receber o meu beijinho no ombro. Agora o beijinho vem seguido de uma festinha...hummm...
Não é só a Matilde que se derrete com as festinhas.

terça-feira, outubro 18, 2005

Ela queria saber porquê...

-Estás distante. Disse-lhe ela.
- E tu sempre com essas coisas.
Ela antecipava em pensamento a conversa que teriam à noite. Sabia exactamente o que ele iria responder. Sabia também que a expressão dele mudaria. Mas uma coisa ela não sabia. Se a expressão mudaria por receio dela estar a imaginar coisas ou se mudaria por estar de facto a mentir.
Essa era a grande questão para ela. O que escondia ele? Será que escondia o que ela tinha medo de imaginar? Vivia angustiada com isso. Desconfiada. Havia dias em que tinha a certeza de uma coisa e outros dias em que já não tinha certeza de nada. Queria confiar nele e nas suas palavras, mas o seu rosto denunciava que alguma coisa estava errada. Ou pelo receio do que ela poderia pensar ou pelo receio dela poder descobrir tudo.
Vivia obcecada com isso. Estava decidida a procurar uma resposta. Mas amava-o tanto que não era fácil pensar na hipótese de que ele lhe estava a mentir. Pensar na hipótese de encarar essa dura realidade. Ele era sempre tão carinhoso com ela... mas ultimamente estava distante, sem no entanto deixar de ser meigo e atencioso. O olhar dele estava muito pensativo para o habitual. Podia ser apenas impressão dela.
Sentia-se tão feliz com ele que não podia acreditar que ele precisasse de encontrar o amor noutra mulher. Sabia que se houvesse outra mulher ele não a teria procurado. Isso ela sabia. Mas podia ter encontrado noutra mulher algo que tivesse gostado muito. E isso ela não conseguiria admitir. Ela que sempre o amara erupticamente, que tinha a certeza que o fazia feliz, que sempre fez tudo para o deixar brilhar. Se calhar foi isso que o afastou. Ou se calhar não. A dúvida acentuava-se.
Mas ela dispôs-se a descrobrir.

terça-feira, outubro 11, 2005

Perdida

Hoje estou triste... sinto-me em baixo. Questiono tudo aquilo que faço porque não faço nada daquilo que gosto.
Volta e meia sinto-me assim. Já andava bem há uns dias, hás uns meses. Hoje voltou a insatisfação. A frustração. Sinto-me uma inútil apesar das inúmeras coisas que faço. Faço-as com desagrado. Só as faço porque tenho de fazer.
Estou a entrar naquela fase em que só me apetece estar em casa. A escrever. A ver alguma televisão. A chorar. Porque a insatisfação é enorme.
Tenho o amor comigo. Mas isso não me chega. Completa-me o coração, mas a cabeça sente-se perdida.Vazia.
O lado profissional está bloqueado. Tenho medo de não o conseguir desbloquear. Estou aflita. Deixei a minha vocação esquecida por uns anos e agora quero dar-lhe uma esperança e não encontro nada daquilo que procuro.
Vou agora para casa que é onde me sinto bem. Onde ninguém me pede para fazer seja o que for. Onde não tenho de aturar clientes. Onde me sento no sofá com a minha cadela e aguardo por dias melhores. Onde espero que o meu menino chegue do treino.

( Neste momento sinto-me incompreendida. Queria poder mostrar aquilo que sei e gosto de fazer e parece que não há ninguem que o queira ver. Será assim tão difícil?)

sexta-feira, outubro 07, 2005

Tás tão bonita hoje

- Quando for grande vou ser bonita como tu.
- Vais ser mais bonita. Disse-lhe.
E vai. Tem uma cara linda. Um sorriso contagiante. Aquele olhar de quem está sempre a rir.

Foi um elogio de uma menina de 7 anos. Afinal as crianças nem sempre são cruéis.
Recebi assim um enorme beijo no meu ego. Acho que ela me achou bonita porque nesse dia eu também me achei de certa forma bonita. Sentia o cabelo brilhante. Os olhos maiores. A face rosada pelo calor que o meu corpo emanava do amor que sinto cá dentro. E uma pequena criança de 7 anos percebeu isso.

Obrigada "JeKa"

quinta-feira, outubro 06, 2005

Pensamento

Dia difícil o de hoje. Muitas coisas para fazer, para despachar. E tudo a correr mal. Parecia 2ª feira. Queria vir mais cedo para casa porque no sábado vêm (finalmente) entregar os móveis e tenho muita coisa para arrumar em casa até lá. Os móveis que agora enfeitam a sala têm de ir para o futuro pseudo-escritório que neste momento faz de despensa. Mas não consegui chegar cedo. E a esta hora apetece-me ver a novela. Depois de um dia como este. Atribulado. Preocupante. Depois de um dia em que mais uma vez procurei emprego na minha área e não encontro nada. Nada. Aquilo que entretanto tenho encontrado, envio curriculos e ninguém se dá ao trabalho de responder. Nem sim nem não. Tenho dias em que fico mesmo desesperada. Frustrada por não conseguir fazer aquilo que quero... O que me vale é que vou escrevendo aqui neste blog que só me tem ajudado a reafirmar o meu fascínio pela escrita. A escrita que amo desde a escola primária. A escrita que me repara a alma.

(Arrisco a dizer que o meu grande sonho era ser escritora... como tive a certeza que o seria aos 12 anos...)

Porque sou sonhadora, continuo a sonhar com isso.

quarta-feira, outubro 05, 2005

O cheiro do Inverno

Hoje o sol insiste em continuar a brilhar. Apesar de estarmos em Outubro. O Outubro da minha infância era frio e escuro. De noite e de dia. Agora só as noites têm aquele gostinho do inverno.
Ontem à noite, enquanto apanhava a roupa do enstendal, senti um agradável frio. Frio de inverno. Frio que dá vontade de ir à gaveta buscar camisolas de lã e cachecóis compridos.
Ontem senti esse friozinho bom. Porque o verão já devia ter ido embora durante o dia também. Não que não ame o verão. Mas cada estação a seu tempo. O calor em Julho e o frio em Outubro.
Quero sentir o cheiro a castanhas. Quero vestir a minha camisola cor-de-rosa de gola alta. Quero ver um filme embrulhada numa manta com um copo de leite com chocolate quente. Cada vez gosto mais do tempo frio. Não gelado. Simplesmente frio. De inverno.
Porque o verão já passou.
(No último inverno, quando ainda estava na casa dos meus pais, enroscava-me no sofá com os meus cães - Luana e Simão - embrulhados num robe verde escuro que era da minha avó e ficávamos os três horas e horas a ver televisão e a dormir como se não houvesse amanhã.)
(Para não fazer nenhum e dormir os cães são sempre os melhores cúmplices e a melhor companhia.)