terça-feira, outubro 18, 2005

Ela queria saber porquê...

-Estás distante. Disse-lhe ela.
- E tu sempre com essas coisas.
Ela antecipava em pensamento a conversa que teriam à noite. Sabia exactamente o que ele iria responder. Sabia também que a expressão dele mudaria. Mas uma coisa ela não sabia. Se a expressão mudaria por receio dela estar a imaginar coisas ou se mudaria por estar de facto a mentir.
Essa era a grande questão para ela. O que escondia ele? Será que escondia o que ela tinha medo de imaginar? Vivia angustiada com isso. Desconfiada. Havia dias em que tinha a certeza de uma coisa e outros dias em que já não tinha certeza de nada. Queria confiar nele e nas suas palavras, mas o seu rosto denunciava que alguma coisa estava errada. Ou pelo receio do que ela poderia pensar ou pelo receio dela poder descobrir tudo.
Vivia obcecada com isso. Estava decidida a procurar uma resposta. Mas amava-o tanto que não era fácil pensar na hipótese de que ele lhe estava a mentir. Pensar na hipótese de encarar essa dura realidade. Ele era sempre tão carinhoso com ela... mas ultimamente estava distante, sem no entanto deixar de ser meigo e atencioso. O olhar dele estava muito pensativo para o habitual. Podia ser apenas impressão dela.
Sentia-se tão feliz com ele que não podia acreditar que ele precisasse de encontrar o amor noutra mulher. Sabia que se houvesse outra mulher ele não a teria procurado. Isso ela sabia. Mas podia ter encontrado noutra mulher algo que tivesse gostado muito. E isso ela não conseguiria admitir. Ela que sempre o amara erupticamente, que tinha a certeza que o fazia feliz, que sempre fez tudo para o deixar brilhar. Se calhar foi isso que o afastou. Ou se calhar não. A dúvida acentuava-se.
Mas ela dispôs-se a descrobrir.